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Foto: Kelson Souza |
Um prefeito prestes a perder seu mandato
por conta de denúncias que vieram a público. Num contexto como esse, poderia a
arte ter um papel político? O espetáculo “Teodorico Majestade: as últimas horas
de um prefeito” é uma sátira política em formato de cordel, construindo um
protesto bem-humorado que mostra o lado ridículo dos bastidores da política
corrupta e que, ao mesmo tempo, conclama o povo a exercer seus direitos de
cidadão.
Em cartaz há quase 13 anos – desde 26 de
novembro de 2006 – a montagem surgiu como um posicionamento do Teatro Popular
de Ilhéus diante dos escândalos ocorridos na cidade. No ano seguinte, a
repercussão da peça contribuiu para a mobilização da população ilheense contra
o então prefeito Valderico Reis, tendo histórica importância na cassação de seu
mandato. Inspirada na literatura de cordel, na xilogravura e no cancioneiro
nordestino, a peça narra o drama do prefeito da fictícia Ilha Bela, acuado em
seu gabinete, cercado pela população revoltada com suas trapaças. Boca-suja e
beberrão, o alcaide se vê abandonado pelos seus comparsas e, num ato de
desespero para se manter no poder, tenta negociar com o povo, que pede sua
cassação imediata.
O espetáculo tem texto e direção de
Romualdo Lisboa e conta com Ely Izidro no papel do prefeito “Teodorico
Majestade”; Takaro Vítor como “Malote”; Tânia Barbosa como “Maria Antônia das
Armas; Aldenor Garcia como “Gersinaldo Quina”; e Cabeça Isidoro como o
“Cantador”. Teodorico Majestade vai em cena na próxima sexta-feira (05), às 20
horas, na Tenda do Teatro Popular de Ilhéus. A classificação é 14 anos, e os
ingressos, que custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), já estão à venda na
Livraria Papirus, no site do TPI
(www.teatropopulardeilheus.com.br/programacao), podendo ser obtidos ainda na
bilheteria do evento.
Campanha
Nos 13 anos de cartaz, Teodorico já obteve
diversas conquistas no meio artístico. A comédia recebeu duas indicações ao
Prêmio Braskem de Teatro em 2008, e já rodou diversas cidades do interior da
Bahia e na capital do estado, além de ter se apresentado em palcos do Rio de
Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Alagoas e
Pernambuco. Participou, a convite da Cooperativa Paulista de Teatro, da VI
Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo em 2011. No mesmo ano, se
tornou tema de documentário que, dirigido por Elson Rosário, foi selecionado
para um edital da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. A
relevância dessa montagem chegou ainda ao território acadêmico, se tornando
objeto de uma dissertação de mestrado apresentada em 2017 pela comunicóloga e
professora Karoline Vital no Programa de Pós-Graduação em Letras da
Universidade Estadual de Santa Cruz.
Agora o espetáculo se prepara para ser
exibido pela primeira vez na Europa. O grupo participará do “Sommerwerft
Festival am Fluss”, um festival internacional de artes que acontecerá em julho
na cidade alemã de Frankfurt. A exibição desta sexta tem a finalidade especial
de arrecadar recursos para o custeio da viagem, cuja campanha de arrecadação
colaborativa continua.
Representando a cultura nordestina em um
dos maiores festivais de artes do mundo, o grupo ainda apresentará seu novo
espetáculo de mamulengos e também ministrará oficinas e participará de
vivências de intercâmbio cultural com companhias de todas as partes do mundo. No
entanto, o TPI não dispõe de recursos para bancar viagens e participação em
eventos fora do seu domicílio, e para isso conta com o apoio colaborativo
popular.
A campanha de arrecadação visa a compra
das passagens para pelo menos 10 integrantes do TPI, entre atores, diretores e
técnicos, que também levarão figurinos, cenários e equipamentos necessários
para as apresentações. A contribuição pode ser feita por qualquer pessoa
através de depósito em conta no Banco do Brasil, agência 3192-5, conta corrente
15598-5, ou ainda via cartão de crédito diretamente na Tenda TPI. Outras formas
de contribuição podem ser consultadas pelo telefone (73) 4102-0580 ou pelo
e-mail tpilheus@gmail.com.
O Teatro Popular de Ilhéus é uma
instituição cultural mantida pelo programa de Ações Continuadas de Instituições
Culturais – uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Bahia com recursos do
Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo que custeia, total ou parcialmente,
projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas
de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura
são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado,
sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio
junto à iniciativa privada.
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