![]() |
Foto: Catarina Barbosa |
No último dia 12 de março (terça-feira)
o Teatro Popular de Ilhéus promoveu mais uma edição do projeto “Improviso,
oxente!”, quadro criado pelo grupo que combina painéis, debates e intervenções
artísticas através de temas que tenham relevância social. A edição especial do mês de luta das mulheres recebeu o
título “Corpos invisíveis: mulheres na política, mulheres em situação de rua e
mulheres trans”. Um grande público lotou a Tenda TPI, debatendo
as temáticas com as convidadas e prestigiando a feira interativa montada durante o evento.
Com organização da professora e ativista
Indiara Rosa e mediação da comunicóloga Haísa Lima, o encontro contou com a
presença de Elizabeth Zorgetz, que é historiadora, mestranda em Economia
Regional e Políticas Públicas, colunista e militante da União da Juventude
Comunista; Dejeane de Olivera, doutora em Enfermagem e docente da UESC; e
Isabella Silva, professora de história, mestranda em Ensino e coordenadora técnica
do primeiro cursinho Trans+ na UFSB. O evento teve cobertura especial da
fotógrafa Catarina Barbosa, comunicóloga formada na UFOP e reconhecida por seu
trabalho de cobertura da tragédia de Mariana/MG.
Na abertura dos debates, entre as
sessões e também no final, o encontro contou ainda com intervenções artísticas
das poetas Má Reputação (Karen Oliveira) e Pretinha (Claudiane Amorim) e da
exibição do vídeo “Filha da rua” sobre mulheres em situação de rua, além de uma
exposição fotográfica temática sobre brasileiras de grande relevância na luta
das mulheres. Também compondo a programação do “Improviso, oxente!”, a Tenda
sediou uma Feira Interativa de Mulheres, com exposição de produtos feitos e
vendidos por mulheres da região.
O Teatro Popular de Ilhéus reconhece a importância
dos debates sobre a luta das mulheres visando o diálogo e fortalecimento desse
grupo diante das desigualdades e violências de gênero sofridas pelas mulheres ao
longo da história e na conjuntura atual. Dessa forma, o projeto “Improviso,
oxente!” cumpre seu papel de intervir positivamente na sociedade ilheense ao
pautar temáticas de grande importância para grupos sociais minoritários com
enfoques especiais nas particularidades da nossa região.
Mês de março
Além do “Improviso, oxente!”, o TPI
também recebeu espetáculos de teatro e dança, e promete ainda um mostra de
cordel e feirinha popular para a programação do mês de março. Nos dias 09 e 16,
a Cia A-rrisca de Dança trouxe a reestreia do espetáculo “Mariana: a história
que se perdeu”. A montagem, que traz uma reflexão sobre o rompimento da
barragem de rejeitos de minério do Fundão que devastou o município de Mariana, teve
sua primeira estreia em 2017 e foi reformatado após o episódio do rompimento da
barragem de Brumadinho.
No dia 14 foi a vez do espetáculo “O
quadro: a revolução começa nas margens”. Escrito por Romualdo Lisboa em 2003 e
adaptado pelo O Coletivo 7, o texto
narra a história de Nino e Lia, um casal de jovens que vivem situações de
violência e de abuso dentro de suas realidades familiares e de comunidade.
Ambos assumem espaços de comando que se alternam. Dirigido por
Valdiná Guerra, a peça foi produzida em parceria com O Arte no Atto, grupo de teatro do Curso Técnico de Teatro do CEEP
do Chocolate Nelson Schaun. Com classificação 14 anos e ingressos a R$ 20
(inteira) e R$ 10 (meia), a montagem será reexibida em novas sessões nos dias
22 (sexta-feira) e 30 (sábado).
No dia 29, a partir das 18 horas, a
Tenda TPI realiza ainda a “Mostra de Poesia Popular de Cordel” e a “Feirinha Popular
de Produtos Regionais”. O evento, de entrada franca e classificação livre, tem
o objetivo de incentivar a expressão da literatura popular e de cordel em nossa
cidade e na região, e trará um encontro de poetas cordelistas em performances
declamadas de poemas de cordel para o público. A mostra contará com a presença
do professor e poeta Lourival Piligra numa exposição oral sobre o
reconhecimento da Literatura de Cordel como Patrimônio Cultural Imaterial
Brasileiro, e na sequência ocorrerá uma homenagem a Minelvino Francisco dos
Santos, grande nome da poesia de cordel em nossa região e na Bahia. Na ocasião,
ambientada por música ao vivo de músicos regionais, será feito também o
lançamento do cordel O Encontro de Helena com o Sereio, de autoria de
Alessandra Simões e Franklin Costa. O evento contará com a Feira Popular de
Produtos Regionais montada para oferecer vários produtos, artesanato, além de comida
e bebidas regionais servidas a preço popular.
O Teatro Popular de Ilhéus é uma
instituição cultural mantida pelo programa de Ações Continuadas de Instituições
Culturais – uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Bahia com recursos do
Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo que custeia, total ou
parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas
ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo
de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu
significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de
patrocínio junto à iniciativa privada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário